segunda-feira, 23 de abril de 2012

A arte de fazer beleza




"No seu ensaio sobre O nascimento da tragédia grega a partir do espírito da música, Nietzsche observou que os gregos, por oposição aos cristãos, levavam a tragédia a sério. Tragédia era tragédia. Não existia para eles, como existia para os cristãos, um céu onde a tragédia seria transformada em comédia. Ele se perguntou então das razões por que os gregos, sendo dominados por esse sentimento trágico da vida, não sucumbiram ao pessimismo. A resposta que encontrou foi a mesma da ostra que faz uma pérola: eles não se entregaram ao pessimismo porque foram capazes de transformar a tragédia em beleza. A beleza não elimina a tragédia, mas a torna suportável. A felicidade é um dom que deve ser simplesmente gozado. Ela se basta. Mas ela não cria. Não produz pérolas. São os que sofrem que produzem a beleza, para parar de sofrer. Esses são os artistas. Beethoven – como é possível que um homem completamente surdo, no fim da vida, tenha produzido uma obra que canta a alegria? Van Gogh, Cecília Meireles, Fernando Pessoa...”. 

------ Por Rubem Alves


segunda-feira, 16 de abril de 2012

terça-feira, 10 de abril de 2012

Depois... tudo é começo!

Depois do fim, tudo é começo, então, que comece. Graças a Deus têm dias que passam rápidos, mas as boas lembranças nunca vão juntas. Do mesmo modo daqueles que atravessam os outros sem pedir licença. Adoro falar muito e de tudo, mas não com todos. Acredite, você andava me ganhando em muitas coisas, das quais deveria e não saber, vinha me ganhado aos poucos, nos pequenos retalhos e aposto que nem desconfiava. Tenho certeza que se soubesse diria que vivia na defensiva, tenho que concordar, sou uma caixinha iluminada e sem muitos segredos, e o melhor, não sou difícil de ler. Ler-me-ia com atenção... Faltou! Às vezes, me perco com tantos quesitos, haja coragem pra processar tanto assunto e transformar em texto. Gosto e muito de sentir tudo junto ao mesmo tempo, mas refletir também cansa. Pensamentos soltos e com eles vários raios e trovões, de uma vez só. Tenho outras prioridades e não consigo orientar-me. Sinto medo, insegurança. Quero abraço forte e uma voz, a sua voz, que sempre reorientava-me, neste e nos outros momentos "só meus". O que me deixa cega não é olhar para o raio, mas não olhar mais fundo para “seu” sujeito, e com ele, em conjunto, toda companhia das borboletas em meu estômago. No meio disso tudo, só pra dizer que senti uma saudade indiscreta de você. Contudo, percebi, entendi e compreendi que a vida é uma questão de preenchimento. Uma vida. Um cheiro. Um brilho. Um toque. Uma fala. Uma presença. Uma ausência. E só.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

(V)idas

Ao crescermos concretizamos que crescer dói, mas engrandece e fortalece, e nós dá a certeza que tudo passa... e tudo passa mesmo!



"Enxergar sonhos que antes eu não saberia ver sozinho. Enxergar só porque o outro me emprestou os olhos, socorreu-me em minha cegueira. Eu possuía e não sabia. O outro me apontou, me deu a chave, me entregou a senha". (Padre Fábio de Melo)