segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Transferência

Eu: Algumas pessoas se destacam para nós (...)

Você: Destacam, como assim? 

(Pausa...)

Mais uma vez tento encontrar uma tradução, mas não encontro... 

Eu: Sabe quando existe uma sutileza no olhar e no abraço? Há o descanso da palavra e conversamos em silêncio. Em alguns momentos tento me policiar, ainda não sei o porquê, contudo meus olhos se perdem e ela de longe observa e entende. Naquele momento é dito no silêncio sem que nenhuma letra precise se juntar à outra. Adoro seu abraço. É uma magia que possibilita o aconchego. A confiança. Talvez ela saiba, talvez não, mas é tão bom compartilhar com ela esses momentos de tantas buscas, encontros, desencontros... Mesmo acessando, vez ou outra, lugares da memória com pingos de tristezas que não cicatrizaram, situações que eu ainda não consegui transformar, embora continue me empenhando para conseguir, ela consegue transformar aquele estado emocional confortável. O afeto flui com facilidade rara...

Você: E por que toda essa explicação em querer justificar? 

Eu: Não é justificar, mas colocar pra fora o que estou sentindo... Queria poder dizer a ela!? 

Você: Dizer não dói, não arranca pedaço...

Eu: Eu sei...

Você: Sabe? 

(Até semana que vem...)


P.S.: Quero que saiba que pode contar comigo, nos tempos de celebração e na travessia das longas noites escuras. É seu, o meu ombro, abraço, olhar, minha escuta e meus melhores sorrisos. Obrigada por tudo!! E jamais esquecerei o que você me disse: "A alma é sábia, enquanto achamos que só existe dor, ela trabalha em silêncio para tecer o momento novo. E ele chega".

terça-feira, 22 de maio de 2012

Exercício da consciência

Hoje foi dia de faxina. Acordei e sinto cheiro de um novo tempo. Não é época de ano novo, nem data especial, nem início de mês. Mas todo tempo é tempo de re-começar. Reiniciar. As pessoas vêm revelando: "Que [tal mês] venha com bons ventos, que me traga sorte e amor, que não me deixe sofrer, por favor." (Caio Fernando Abreu). É engraçado, as pessoas deixam nas mãos das outras a responsabilidade pelo seu sofrimento e/ou felicidade. Qual nome dar as estas pessoas? Fico indignada como "tal" me envia um  e-mail e, ainda acha-se no direto, que é obrigação do outro nos deixar feliz. A felicidade é minha. Com ou sem "tal" pessoa serei feliz. Não ache que minha felicidade é você. Olhar para si. Amar-se um pouco mais. Olhar o próprio umbigo seria um trabalho árduo? Acredito que para alguns seriam... Diante disso, por experiência própria, parei de pedir e comecei a correr atrás. A palavra-chave é parar de ser vítima e passar a ser autor;  é parar de reclamar e passar à agradecer. Toda vivência, sendo boa ou ruim, é aprendizado, tira alguma lição.

"Tenho ouvido muito que crescer dói. Nossa, eu que me encontro agora nesse estado saindo da adolescência tardia, começo a sentir as picadas da vida adulta. Não aquela que já venho tendo há bons anos. Essa não. Aquela que evitei sempre. Crescer dói porque é preciso olhar pra dentro da gente mesmo. Em cada parte mais escondida. Nas veias, vísceras, músculos, ossos, órgãos vitais.  É, crescer dói. E mesmo com tanta dor e às vezes um certo desânimo, continuo seguindo. Afinal de contas, a dor, por mais que pareça inevitável, é opcional. E minha opção já foi feita." 

Durante 5 anos estive numa incubadora, protegida da selva. Agora o pensamento que se fixa é: O que será que me espera? Tenho fome e sede do momento e percebo que a mistura do medo e da insegurança me cobrem, mas ao fazer um paralelo deste cantinho com a minha segunda casa (como de costume eu dizia), observo que muitos assuntos foram abordados, muitas histórias contadas e divididas, muitos dias presentes formou-se o passado e a diferença agora é real. Uma grafia mais cuidadosa e pautada. Uma reflexão acerca dos resultados de tanta responsabilidade e dedicação, desta forma, realizado o diário de bordo. É como os tripulantes de um barco, no qual contêm a escrita criativa. Acordei a bordo sem lembrar de como foi parar por alguns meses, e não vai ser mais necessário ir a procura de outros tripulantes... Estou aqui e voltei para ficar!

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A arte de fazer beleza




"No seu ensaio sobre O nascimento da tragédia grega a partir do espírito da música, Nietzsche observou que os gregos, por oposição aos cristãos, levavam a tragédia a sério. Tragédia era tragédia. Não existia para eles, como existia para os cristãos, um céu onde a tragédia seria transformada em comédia. Ele se perguntou então das razões por que os gregos, sendo dominados por esse sentimento trágico da vida, não sucumbiram ao pessimismo. A resposta que encontrou foi a mesma da ostra que faz uma pérola: eles não se entregaram ao pessimismo porque foram capazes de transformar a tragédia em beleza. A beleza não elimina a tragédia, mas a torna suportável. A felicidade é um dom que deve ser simplesmente gozado. Ela se basta. Mas ela não cria. Não produz pérolas. São os que sofrem que produzem a beleza, para parar de sofrer. Esses são os artistas. Beethoven – como é possível que um homem completamente surdo, no fim da vida, tenha produzido uma obra que canta a alegria? Van Gogh, Cecília Meireles, Fernando Pessoa...”. 

------ Por Rubem Alves


segunda-feira, 16 de abril de 2012

terça-feira, 10 de abril de 2012

Depois... tudo é começo!

Depois do fim, tudo é começo, então, que comece. Graças a Deus têm dias que passam rápidos, mas as boas lembranças nunca vão juntas. Do mesmo modo daqueles que atravessam os outros sem pedir licença. Adoro falar muito e de tudo, mas não com todos. Acredite, você andava me ganhando em muitas coisas, das quais deveria e não saber, vinha me ganhado aos poucos, nos pequenos retalhos e aposto que nem desconfiava. Tenho certeza que se soubesse diria que vivia na defensiva, tenho que concordar, sou uma caixinha iluminada e sem muitos segredos, e o melhor, não sou difícil de ler. Ler-me-ia com atenção... Faltou! Às vezes, me perco com tantos quesitos, haja coragem pra processar tanto assunto e transformar em texto. Gosto e muito de sentir tudo junto ao mesmo tempo, mas refletir também cansa. Pensamentos soltos e com eles vários raios e trovões, de uma vez só. Tenho outras prioridades e não consigo orientar-me. Sinto medo, insegurança. Quero abraço forte e uma voz, a sua voz, que sempre reorientava-me, neste e nos outros momentos "só meus". O que me deixa cega não é olhar para o raio, mas não olhar mais fundo para “seu” sujeito, e com ele, em conjunto, toda companhia das borboletas em meu estômago. No meio disso tudo, só pra dizer que senti uma saudade indiscreta de você. Contudo, percebi, entendi e compreendi que a vida é uma questão de preenchimento. Uma vida. Um cheiro. Um brilho. Um toque. Uma fala. Uma presença. Uma ausência. E só.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

(V)idas

Ao crescermos concretizamos que crescer dói, mas engrandece e fortalece, e nós dá a certeza que tudo passa... e tudo passa mesmo!



"Enxergar sonhos que antes eu não saberia ver sozinho. Enxergar só porque o outro me emprestou os olhos, socorreu-me em minha cegueira. Eu possuía e não sabia. O outro me apontou, me deu a chave, me entregou a senha". (Padre Fábio de Melo)

terça-feira, 27 de março de 2012

Olhar novo

Depois de muito tempo ausente, eis-me aqui. E com diversos reajustes. As vezes pego-me pensando em abandonar (de vez!) este cantinho, por ter encontrado outras opções em "jogar tudo para fora". Mas, ao calcular o peso lembro-me que foi aqui que me (des)encontrei várias vezes... Não seria justo, pois desde sempre fez-se presente nos momentos ímpares.

Eis aqui minha maravilhosa mensagem: Seja bem-vinda de volta!!!

E ao retornar, trago novos momentos. Olho ao meu redor e descubro que as coisas que quero levar não podem ser levadas. Os excessos pesam e já procurei uma maneira que talvez amenizasse este sentimento, como por exemplo, a leitura das reflexões dos momentos vivenciados e o que ficou de bom na nossa história, de forma a permitir que Deus cure o que sobrou da dor. Recordo-me de um sonho que tinha quando criança e que podia compartilhar com você, hoje não mais. Fico tentando lembrar dos melhores e piores momentos para então tentar entender um pouco deste hoje, mas ao lembrar da nossa casa o melhor sentimento invade em mim. Tinha sinais de carinho, cuidado e delicadeza, resumindo: só podia ser amor. Deduzi, por alguns anos, que se nossa casa era assim, ou seja, quem morava nela também era feliz. Certamente, com o tempo meus sonhos teriam se perdido, e se pudesse teria me arriscado a dizer ao proprietário dela que tivesse tranqüilidade antes de abrir mão de tudo. Na hora das decisões é sempre prudente ponderar entre o sentimento e a razão. Onde estarão os motivos que o levaram a des-construir um caminho tão bonito? Pode ser que, por algum motivo, também tenha colocado uma “placa de venda” e eu não tenha percebido. Virar a página, recomeçar, esquecer o peso do deslize é fundamental para que a pessoa possa ser capaz de reassumir a vida depois da queda. É como ajeitar uma peça que ficou sem encaixe. Este procedimento requer adequação dos desajustes. E isso requer esquecer.


"O Destino é tecido com duas agulhas. Uma delas, eu quem possuo e controlo. A outra é a vida. As vezes sou eu quem determino que ponto irei tecer. E outras, só poderei esperar e observar o quanto e até onde a vida irá me permitir tecer determinados pontos. E terei que aprender a suportar as agulhadas que certamente levarei tantas e tantas vezes".